domingo, 22 de março de 2009

Pecado

desulpe humanidade, mas nunca servi até saber que inventaram o pecado. O pecado é filho da inteligência que não alcança tudo, que não vai além de suas limitadas conclusões e juízos e não freia os prazeres e dores das paixões, contra os quais não há argumentos lógicos.. Se esta vida é um sonho pautado pela guerra e pelo trabalho, onde o amor é a aspiração máxima, eu juro, vale tudo. A guerra do amor é a mais cruel, sangrenta e amoral do que a pelo ódio, porque se existe coisa melhor, não conheço......e se quem inventou o pecado, não conhece nada do que é ser humano, que transgride em sonho, nada mais do que um descanso do sonho real: a vida, a batalha pelo amor. Eu nasci em berço pobre, de mãe pobre, mas desde baby, minha mãe reconheceu em mim o porte de uma rainha que mora nos fundos dos palácios oficiais das cortes, as cortesãs.Clamou aos céus que eu, aquele bebê que dormia, que não dava trabalho, acordava não com choros, mas com marotos sorrisos e brincava graciosamente com minhas bonequinhas pobres, arrumando seus trapinhos de maneira qual que ficavam parecendo trajes reais. Deus ouviu os clamores de minha mãe, e aos quinze anos, meus olhos despertavam duelos entre os jovens mancebos que preferiam morrer, ou matar a não tê-los. Depois falaram que isso era pecado e fiquei muito chateada, porque o pecado, a paixão é a origem da máxima poesia: a tragédia por amor. Fui uma grande cortesã, se disser que nunca servi estarei mentindo e estaria já debaixo da terra. Dos pecados capitais todos foram feitos em meu nome, só para passarem uma noite recebendo meus cainhos físicos e espirituais. Paticando coisas grotescas, os fracos homens não aspiram nada além de felicidade, riqueza, prazer, enfim, a máxima recompensa da natureza por um ato coerente com suas regras. Mas tudo tem seu preço, e a dor vem logo em seguida cobrar o seu quinhão através das perdas. Mas nem por isso devamos maldizer o pecado, o recusrso último de se ter um sonho e não um pesadelo, que vem logo em seguida, caso a guerra seja perdida. Minha servidão aí entrava, além da guerra perdida os sacerdotes diziam que o inferno esperava os perdedores, crueldade máxima. Para os vencedores, também haveria inferno, mas o que significa o inferno numa vida que nem sequer temos certeza que existe, ainda mais se sentimos na pele, no pensamento a felicidade do aqui e o agora. Um ser que vem e diz aos pecadores que não pequem mais, não sabe nada de natureza humana, e não é a toa que saõ crucificados no lugar de assassinos passionais. Eu peço a Deus que minha beleza permaneça eterna, porque ela expia essa maldita invenção: o pecado. Sim, há apenas um pecado: amar o mal, este é o único imperdoável e que não merece se repetir. Sei que é impossível ter beleza eterna, ainda mais para uma mulher devotada ao vício como sempre fui. Peço à Nossa senhora da Boa- Morte, que dê-me uma morte tranquila e que no meu caixão minha cara esteja belíssima, fechando com chave de ouro minha condenada servidão. Não pecar é uma utopia, tente ficar um dia sequer sem pecar, aposto que não conseguirá.

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