segunda-feira, 2 de junho de 2008

Morrer de bala

As festas nos rincões da América Latina costumam ter fins trágicos. Principalmente pelo uso indiscriminado de armas de fogo. Ouvir relatos de pessoas já baleadas, que dariam um tiro em alguém que incomodasse foi, para mim, uma experiência chocante. Estou andando com uma galera meio barra pesada. Que bebem muita cerveja, ou o que sirvirem no copo, apreciam uma bela puta e só falam de dinheiro. É a que se resume a juventude proletária de um subúrbio do subúrbio. Ouvindo uma música de Caetano Veloso, Soy Loco por ti , América, percebi um detalhe em que ele fala das possíveis mortes que um jovem típico da América Latina. Morrer de bala. Será que eu vou morrer de bala? Debater sobre temas acalorados, ou, principalmente, mexer com a puta de um agroboy, pode ter um desenlace desastroso. É que eu nunca havia lidado com esse mundo perigoso, de homens brutos, selvagens, pobres. Cheguei ao cúmulo de sentar na mesa de um pistoleiro. O pistoleiro era até simpático, acredita? Tinha um semblante tão pacífico. Quem vê cara, não vê coração. Um homem contente e simpático que esconde, por trás do seu sorriso, um choro, uma súplica de alguém que não quis morrer. Mundo louco.
 
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